terça-feira, 21 de abril de 2015

Aos 36 anos... ainda em Clarice Lispector...

Após trinta e seis anos de vida... com mais experiências e histórias para contar, o sentimento dentro do coração são parecidos e sonhos ainda bem parecidos, mas com um tanto de maturidade, com o caminho espiritual atento, em uma busca mais que constante. As Ações, mais pensadas e concretas, Vida estável e instável, as vezes...rsrsrs 
Vida que é vivida intensa mais moderada, caminhando com um pé a frente do outro, mas presente em tudo e no momento...Seria um certo Equilíbrio?
Talvez  o Yoga esteja de uma certa maneira agindo sobre a vida e as circunstancias... Mas estou em busca de um equilíbrio mais que emocional e consciente. Viver sempre presente longe desta ansiedade que me exprimi e muitas vezes me sucumbe!!!

Ainda vivendo e sobrevivendo os momentos da vida, vivendo sempre o tempo presente, mesmo que muitas vezes ele escape e entre num buraco sem fundo de pura ansiedade do futuro..

Amando a vida, amando o presente e não por ultimo o momento.

E a citação que não pode faltar...

"Nunca a vida foi tão atual como hoje: por um triz é o futuro. Tempo para mim significa a desagregação da matéria. O apodrecimento do que é orgânico como se o tempo tivesse como um verme dentro de um fruto e fosse roubando a este fruto toda a sua polpa. O tempo não existe. O que chamamos de tempo é o movimento de evolução das coisas, mas o tempo em si não existe. Ou existe imutável e nele nos transladamos. O tempo passa depressa demais e a vida é tão curta. Então — para que eu não seja engolido pela voracidade das horas e pelas novidades que fazem o tempo passar depressa — eu cultivo um certo tédio. Degusto assim cada detestável minuto. E cultivo também o vazio silêncio da eternidade da espécie. Quero viver muitos minutos num só minuto. Quero me multiplicar para poder abranger até áreas desérticas que dão a idéia de imobilidade eterna. Na eternidade não existe o tempo. Noite e dia são contrários porque são o tempo e o tempo não se divide. De agora em diante o tempo vai ser sempre atual. Hoje é hoje. Espanto-me ao mesmo tempo desconfiado por tanto me ser dado. E amanhã eu vou ter de novo um hoje. Há algo de dor e pungência em viver o hoje. O paroxismo da mais fina e extrema nota de violino insistente. Mas há o hábito e o hábito anestesia."
Clarice Lispector, in 'Um Sopro de Vida'